A CENSURA CAIU. Por determinação do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, no dia 25 de outubro de 2023, o Intercept voltou a publicar a reportagem sobre a morte de Mãe Bernadete. O texto abaixo sobre a censura determinada pela justiça da Bahia também havia sido retirado do ar. Agora você pode ler nosso posicionamento..
Tudo o que pedimos é um dia de paz!
No momento em que enviamos um e-mail para nossos leitores comemorando o arquivamento do inquérito da Polícia Civil solicitado pela Igreja Universal de Edir Macedo, recebemos uma nova mensagem: uma notificação judicial censurando uma reportagem do Intercept Brasil.
A liberdade de imprensa vence uma batalha, mas é novamente atacada. Nosso futuro está nas mãos de um juiz que já nos censurou sem sequer nos oferecer a chance de nos defender. A matéria já foi retirada do nosso site e redes sociais.
Você já não pode mais ler a matéria sobre as lutas que antecederam as execuções de Mãe Bernadete Pacífico, renomada líder quilombola e ialorixá na Bahia, e de seu filho Binho do Quilombo.
Isso é um absurdo que não pode ser normalizado!
A ação foi movida por Vitor Loureiro Souto, empresário e filho de Paulo Souto, o poderoso ex-governador da Bahia com fortes laços no judiciário estadual. Seu pedido para censurar a matéria que publicamos em agosto foi acatado por um juiz, que coincidentemente é fervoroso defensor de Sergio Moro e da Lava Jato em suas redes sociais.
Nosso direito constitucional de informar o público foi violado pela decisão do juiz George Alves de Assis e você pode ter certeza que já estamos nos preparando para esta luta.
Como uma redação sem fins lucrativos, financiada pelos leitores, isso significa que precisamos que a nossa comunidade se una e nos ajude a derrotar mais esta tentativa de intimidação.

Na reportagem censurada, damos um contexto importante sobre a vida de Mãe Bernadete, que foi brutalmente assassinada no mês passado. Ela protagonizou a luta da sua comunidade contra poderosas forças econômicas externas, incluindo a empresa de Souto, que constrói um lixão na fronteira com o quilombo, que são situados numa Área de Proteção Ambiental.
Bernadete assumiu a luta do filho, Binho do Quilombo, assassinado seis anos antes. Binho, destacada liderança quilombola da região, articulava protestos contra a entrada da companhia de Souto na região. A investigação do assassinato de Binho, que foi assumida pela Polícia Federal, segue aberta.
Três suspeitos da execução de Mãe Bernadete foram presos. A investigação ainda está em andamento.
Aparentemente Souto não gostou da nossa matéria narrando os fatos. Nos acusou de sugerir que ele e sua empresa de lixo, a Naturalle, eram os responsáveis pelo assassinato de Binho. Nunca fizemos tal acusação, embora Mãe Bernadete já tivesse chamado a atenção para essa possibilidade.
Ironicamente, a ação judicial de Souto só vai chamar mais atenção para a suposta acusação de que ele é o responsável pelas mortes de Binho e Bernadete — acusação que nunca fizemos.
Nosso trabalho como jornalistas sérios é informar o público sobre esses horríveis assassinatos e destacar as lutas diárias do quilombo Pitanga dos Palmares, que está sob constante ameaça de interesses corporativos que colocam o dinheiro acima de tudo.
É importante relembrar a resistência corajosa de Binho e Bernadete, independentemente de quem puxou o gatilho e ordenou os assassinatos. Porque a justiça nunca chegará se permanecermos em silêncio.
Infelizmente, essa história é muito comum entre os quilombos e as comunidades tradicionais na Bahia e em todo o Brasil. A violência contra eles só vai piorar se a imprensa for impedida de falar sobre estas histórias.
Este processo faz parte de uma tendência muito maior e preocupante. Estamos sob constante perseguição judicial por nosso jornalismo em defesa dos direitos humanos, da democracia, do meio ambiente, da transparência e da justiça social.
Os inimigos destes valores e do SEU direito de saber o que está acontecendo ao seu redor querem nos intimidar e nos silenciar – isso jamais acontecerá!
Eu tenho um favor para te pedir: precisamos de recursos para travar estas batalhas legais contra empresas ricas e políticos poderosos e seguir a produzir jornalismo importante e impactante.
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