Veículos feministas apoiam jornalista punida por pauta sobre julgamento de estupro

Veículos feministas apoiam jornalista punida por pauta sobre julgamento de estupro

Schirlei Alves foi condenada pela Justiça de Santa Catarina a 1 ano de prisão e R$ 400 mil em indenizações devido à reportagem de Mari Ferrer

Veículos feministas apoiam jornalista punida por pauta sobre julgamento de estupro

A jornalista Schirlei Alves foi condenada pela Justiça de Santa Catarina a um ano de prisão em regime aberto e R$ 400 mil em indenizações. A repórter mostrou ao Brasil como as mulheres podem ser revitimizadas por homens. Durante um julgamento sobre um estupro, a influenciadora Mariana Ferrer passou por uma sessão de humilhação. O episódio causou indignação nacional e motivou a criação da Lei Mariana Ferrer, que determina punição para atos contra a dignidade de vítimas de violência sexual e das testemunhas do processo durante julgamentos. 

Mas o advogado de defesa do empresário que terminou absolvido, o promotor e o juiz  resolveram processar Schirlei. A sentença prevê que ela seja duramente punida e condenada criminalmente por supostamente ofender a honra de funcionários públicos (juiz e promotor). As ações nas varas cíveis não foram concluídas até o momento desta publicação. 

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A condenação desproporcional e sem precedentes contra a jornalista foi assinada por uma juíza, no dia 27 de setembro, mas o caso só veio à tona na semana passada (15 de novembro), quando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) puniu o juiz envolvido na audiência por omissão.

Os processos contra Schirlei correm em segredo de justiça. Agora o caso segue para a segunda instância do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Precisamos nos mobilizar. A sentença afeta a liberdade de imprensa e estimula a autocensura. E a punição é contra todas nós, mulheres, que denunciam a violência de gênero dentro e fora de ambientes dominados por homens. 

Por isso, nós, veículos feministas e que cobrimos questões de gênero no Brasil, Revista AzMina, Portal Catarinas e Gênero e Número, expressamos esse apoio público à repórter Schirlei Alves, que está sendo vítima de violência institucional de gênero desde que produziu a matéria. Entendemos que essa união é fundamental que sigamos livres para investigar, denunciar e pautar conteúdos caros ao nosso jornalismo, que salvam muitas mulheres. 
Associações jornalísticas, entidades de classe e de defesa do jornalismo e dos profissionais também publicaram nota oficial sobre o caso, considerando a condenação ultrajante.

A VERDADE CUSTA CARO. O SILÊNCIO CUSTA AINDA MAIS.

As informações que você acabou de ler incomodam muita gente poderosa. É por isso que tentam nos silenciar com processos, ameaças e difamação.

A única barreira entre a verdade e a impunidade é um jornalismo sem rabo preso. O Intercept Brasil não tem donos bilionários e não aceita um único centavo de bancos ou políticos.

Nós acabamos de entregar os fatos. Agora, a bola está com você.  Se essa história te indignou, transforme isso em ação. Mostre a eles que não estamos sozinhos e garanta que ninguém nos cale.

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